domingo, 21 de janeiro de 2018

2018, uma encruzilhada para o Brasil


O ano inicia sob os auspícios da “Lava-Jato” que levará Lula ao julgamento em 2ª instância no TRF-4 no próximo dia 24/01. É muito emblemático que um ex-presidente da república esteja tão perto de ser trancafiado por conta de seus crimes, na verdade por uma ínfima parte deles.

Já tivemos Collor, uma figura estranha, elevada a categoria de presidente pela Rede Globo, Dilma uma ex-guerrilheira, totalmente inepta até para o cargo que conseguiu se eleger não uma, mas duas vezes, sendo a última de maneira bem duvidosa devido às urnas eletrônicas não auditáveis. FHC, um legítimo esquerda caviar, pertencente a elite globalista que na sua velhice virou um apologista da maconha e defensor de Lula. Sarney, um coronel do Maranhão. E Temer. Ora, Temer foi vice de Dilma e isso já diz muito sobre ele.

Esses presidentes nos governaram no período pós-1985 que os historiadores chamam de redemocratização. Nunca nos vimos representados neles. O patriotismo tão presente no regime militar, praticamente não existiu nessa redemocratização.

O que ganhamos efetivamente de bom nesse período pós-1985 em que nos tornamos reféns desse sistema político partidário corrupto e tresloucado? Nossa educação se tornou uma das piores do mundo, o processo de emburrecimento e idiotização da população acelerou a passos largos. A violência atingiu níveis absurdos, as nossas estatísticas de homicídios são de guerra. A impunidade corre solta. A imoralidade e a esculhambação são quase  uma regra, e isso tudo sem falar na corrupção generalizada que alcançou seu ápice no mensalão e petrolão do PT.

Grande parte da elite política (MPF, e demais poderes) e da mídia que sofreram lavagem cerebral nas faculdades dominadas pelo marxismo cultural não conseguem perceber os anseios reais da população e em vez de se esforçar para entendê-la prefere desqualificá-la. Não entendem que o Pedro, a Maria e o José, comedores de feijão com arroz, querem um país melhor, mais sério, mais justo, com menos privilégios para castas. Querem uma escola que ensine matemática e português, e não uma porcaria de ideologia de gênero que só serve para confundir nossas crianças. Queremos que bandidos sejam tratados como bandidos (ainda que não tenham 18 anos completos). Que nossos filhos não sejam expostos a homens nus e obras indecentes que fazem apologia à pedofilia em museus com incentivo fiscais e o MPF batendo palmas para isso. Não queremos que o dinheiro público tão escasso vá parar em paradas LGBTs. Não queremos que pais sejam punidos porque deram uma palmadinha nos seus filhos. Não, definitivamente não queremos nada isso.

Existe ao menos um pré-candidato a presidência que compreendeu e representa os anseios do Brasil real, e não as experiências sociológicas fracassadas de um punhado de almofadinhas. E isso está fazendo com que o establishment político-midiático se arrepie e produza algumas reações desesperadas. Vejamos: esta semana, FHC comparou numa entrevista o deputado Jair Bolsonaro a Hitler, ainda que sem citar seu nome, e achou tempo para sair em defesa de Lula. A Folha de São Paulo fez uma reportagem no mínimo malandra para tentar manchar a reputação do mesmo deputado ao induzir que o seu patrimônio seria incompatível com sua renda de político. E por fim, o Foicebook (digo Facebook) mudou seu algoritmo de maneira à praticamente eliminar toda influência das páginas políticas, visando diminuir a relevância dos conservadores que dominam amplamente essa rede. Tudo isso de uma só vez, como que orquestrado.

A tudo isso junta-se um sistema eleitoral que não inspira qualquer confiança. Nossas urnas eletrônicas não são auditáveis. Nem precisam ser fraudadas, porque já são uma fraude em si mesmas, uma vez que a apuração se restringe a um punhado de técnicos reclusos e não há a possibilidade de recontagem dos votos. Uma votação que não pode ser conferida, não merece crédito algum. A cédula de papel era muito mais confiável que essas urnas, simplesmente pelo fato de que se tivéssemos quaisquer dúvidas, bastaria uma recontagem manual dos votos. O Deputado Jair Bolsonaro propôs uma projeto de lei que foi aprovado pelo Congresso e que prevê ao menos uma solução intermediária permitindo a impressão dos votos e a sua recontagem em caso de dúvidas, mas nem isso tem sido levado a frente pelo boicote irresponsável e ilegal do TSE presidido ministro Gilmar Mendes.

Ampliemos agora nosso horizonte e vejamos o contexto em que nos encontramos. Após a derrocada do socialismo em 1989, a esquerda latina-americana se uniu no Foro de São Paulo e elaborou um plano para recuperar na América Latina o espaço perdido na Europa. Suas diretrizes e estratégias foram traçadas nesses diversos encontros que tiveram início em São Paulo no anos 90.

Eles tiveram muito sucesso na execução dos seus objetivos, e graças ao empenho pessoal de Fidel Castro e Lula, conseguiram eleger governos de esquerda em quase toda a América do Sul. Na Venezuela, Chávez-Maduro, no Equador, Rafael Correa, na Bolívia, o cocaleiro  Evo Morales, no Uruguai, Mujica, no Paraguai, o ex-bispo Fernando Lugo, na Argentina, Cristina Kirchiner e o próprio Lula e Dilma no Brasil.

Entendamos que esse socialismo do século XXI é muito mais uma revolução cultural do que propriamente um sistema econômico-político baseado na socialização dos meios de produção. Seu alvo principal é a subversão da sociedade através da destruição da família tradicional e do confinamento da religião a mera expressão privada, dando para isso poderes inimagináveis ao Estado em detrimento do indivíduo e suas liberdades.

Foi na Venezuela e também na Bolívia, que o socialismo do século XXI alcançou seus maiores feitos e conseguiu ser implementado de fato. A destruição total da economia, desemprego, morte, fome e perseguição, traços típicos de qualquer nação socialista do século XX que se preze, abundam por lá. Bom que se diga que ambas as tiranias contam com o apoio irrestrito do PT e dos partidos de esquerda no Brasil, ainda hoje. Isso não era para nos surpreender, uma vez que comunistas não são patriotas e colocam os interesses do partido acima dos interesses nacionais, exemplo disso foi a cessão da refinaria da Petrobrás que Lula fez para Evo Morales e os empréstimos impagáveis do BNDES à Venezuela de Chávez.

Diante de tudo isso já exposto somos levados a raciocinar que o verdadeiro risco que se desenha para 2018, não é de maneira alguma a candidatura de Bolsonaro, como algumas raposas políticas e a mídia mainstream querem nos fazer crer, mas sim a permanência do mesmo establisment esquerdista no poder, e a consequente venezuelização do Brasil.

A luta contra a Fake News vai ser longa e árdua, e não podemos descansar. 

Que a Virgem de Fátima livre o Brasil e todas as nações latino americanas das garras do comunismo. 

Luciano Perim Almeida

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

A Venezuela pede socorro


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(23 de abril de 2017 - Domingo da Divina Misericórdia - A imagem de Cristo Misericordioso aparece nas nuvens da cidade de Maracaibo na Venezuela)
Hoje morreu Óscar Pérez, o piloto venezuelano que sobrevoou e atacou prédios públicos em Caracas em junho passado para divulgar os excessos e a tirania do governo Maduro. Militar treinado e preparado, Pérez tinha a pretensão de unir o povo venezuelano numa reação militar ao cada vez mais sufocante governo socialista de Nicolás Maduro. Infelizmente, foi assassinado pelos tiranos, mesmo anunciando sua rendição.

A Venezuela era para ser o país mais rico da América Latina. Suas reservas petrolíferas são imensas e seriam capazes de alavancar a economia de qualquer país, bastando que fossem administradas com o mínimo de responsabilidade. Mas para a desgraça do povo venezuelano, um dos seus militares, o senhor Hugo Chávez, que após enganar quase todos com uma campanha política light, se elegeu presidente em 1998. Revelando-se um comunista de carteirinha implantou sem demora o socialismo do século XXI. Suas ações como as estatizações levaram desemprego, pobreza, fome e divisão ao outrora promissor país. Após a sua morte em 2013, o pesadelo venezuelano em vez de terminar, piorou ainda mais, porque o seu sucessor Nicolás Maduro se mostrou ainda mais louco e cruel.

A fome, a miséria, a inflação, o desemprego, o tráfico, a prostituição, e a falta de medicamentos assolam toda a Venezuela. A situação é catastrófica e demanda o quanto antes uma intervenção internacional. O governo virou as costas para a população e só se preocupa em se manter no poder a custa do sacrifício do próprio povo. ONU, OEA e países como Brasil e Argentina, pouco ou nada fazem. A população venezuelana desarmada e carente de liderança padece um inferno que parece não ter fim.

Nesta hora terrível é preciso rezarmos por esses nossos irmãos, clamarmos a Deus Nosso Senhor e a sua Mãe Maria Santíssima, sob o título de Nossa Senhora de Guadalupe, rainha e padroeira da América Latina para que olhem a dor desse povo sofrido. 

Não sejamos indiferentes. É muito, muito triste o que nossos irmãos estão passando. É preciso que as lideranças das nações livres se deixem  sensibilizar e ajam o quanto antes. Urge que algo seja feito. Não é possível que assistamos um povo ser dizimado por uma tirania, e não façamos nada.




quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Profissão das verdades imutáveis em relação ao matrimônio sacramental

Profissão das verdades imutáveis em relação ao matrimónio sacramental

Depois da publicação da Exortação Apostólica “Amoris laetitia” (2016), vários bispos emanaram, a nível local, regional e nacional, normas aplicativas acerca da disciplina sacramental daqueles fiéis, ditos “divorciados recasados”, que, vivendo ainda ligados ao cônjuge ao qual estão unidos por um vínculo matrimonial válido, iniciaram no entanto uma convivência more uxorio estável com uma pessoa que não é o seu cônjuge legítimo.

As normas mencionadas contemplam, entre outras coisas, que, em casos individuais, as pessoas ditas “divorciadas recasadas” possam receber o sacramento da Penitência e a Sagrada Comunhão, mesmo continuando a viver habitual e intencionalmente more uxorio com uma pessoa que não é o seu cônjuge legítimo. Tais normas pastorais receberam a aprovação de várias autoridades hierárquicas. Algumas destas normas receberam, até, a aprovação da suprema autoridade da Igreja.

A difusão de tais normas pastorais aprovadas eclesiasticamente causou uma notável e sempre crescente confusão entre os fiéis e o clero, uma confusão que toca as manifestações centrais da vida da Igreja, como o matrimónio sacramental, a família, a igreja doméstica e o sacramento da Santíssima Eucaristia.

Segundo a doutrina da Igreja, apenas através do vínculo matrimonial sacramental se constitui uma igreja doméstica (cfr. Concílio Vaticano II, Lumen Gentium, 11). A admissão dos fiéis chamados “divorciados recasados” à Sagrada Comunhão, a qual é a expressão máxima da unidade de Cristo-Esposo com a Sua Igreja, significa, na prática, um modo de aprovação ou de legitimação do divórcio e, neste sentido, uma espécie de introdução do divórcio na vida da Igreja.
As mencionadas normas pastorais revelam-se de facto, e com o tempo, como um meio de difusão da “chaga do divórcio”, uma expressão usada no Concílio Vaticano II (cfr. Gaudium et Spes, 47). Trata-se da difusão da “chaga do divórcio” até mesmo na vida da Igreja, quando na verdade a Igreja deveria ser a causa da fidelidade incondicional à doutrina de Cristo, um baluarte e um sinal inconfundível de contradição contra a chaga cada dia mais difundida do divórcio na sociedade civil.

De modo inequívoco, e sem admitir qualquer excepção, o Nosso Senhor e Redentor Jesus Cristo reconfirmou solenemente a vontade de Deus em relação à proibição absoluta do divórcio. Uma aprovação ou legitimação da violação do vínculo sacramental matrimonial, ainda que através da referida nova disciplina sacramental, contradiz de modo grave a expressa vontade de Deus e o Seu mandamento. Tal prática representa, assim, uma alteração substancial da bimilenária disciplina sacramental da Igreja. Para além disto, uma disciplina substancialmente alterada comportará, com o tempo, também uma correspondente alteração na doutrina.

O Magistério constante da Igreja, começando com os ensinamentos dos Apóstolos e de todos os Sumos Pontífices, conservou e transmitiu fielmente, quer na doutrina (na teoria) quer na disciplina sacramental (na prática), de modo inequívoco, sem qualquer sombra de dúvida e sempre no mesmo sentido e no mesmo significado (eodem sensu eademque sententia), o cristalino ensinamento de Cristo acerca da indissolubilidade do matrimónio.

Por causa da sua natureza divinamente estabelecida, a disciplina dos sacramentos não deve jamais contradizer a palavra revelada por Deus e a fé da Igreja na indissolubilidade absoluta do matrimónio rato e consumado. “Os sacramentos não só supõem a fé, mas também a alimentam, fortificam e exprimem por meio de palavras e coisas, razão pela qual se chamam sacramentos da fé” (Concílio Vaticano II, Sacrosanctum Concilium, 59). “Nem mesmo a autoridade suprema da Igreja pode mudar a liturgia a seu bel-prazer, mas somente na obediência da fé e no respeito religioso do mistério da liturgia” (Catecismo da Igreja Católica, 1125). A fé católica, pela sua natureza, exclui uma contradição formal entre a fé professada, por um lado, e a vida e a prática dos sacramentos, pelo outro. Neste sentido também se pode entender as afirmações do Magistério: “Este divórcio entre a fé que professam e o comportamento quotidiano de muitos deve ser contado entre os mais graves erros do nosso tempo” (Concílio Vaticano II, Gaudium et spes, 43) e “a pedagogia concreta da Igreja deve estar sempre ligada e nunca separada da sua doutrina” (João Paulo II, Exortação ApostólicaFamiliaris consortio, 33).

Em virtude da importância vital que constituem a doutrina e a disciplina do matrimónio e da Eucaristia, a Igreja é obrigada a falar com a mesma voz. As normas pastorais em relação à indissolubilidade do matrimónio não devem, portanto, contradizer-se entre uma diocese e outra, entre um país e outro. Desde o tempo dos Apóstolos, a Igreja observou este princípio, como o atesta Santo Ireneu de Lião: “A Igreja, ainda que difundida por todo o mundo até às extremidades da terra, tendo recebido dos Apóstolos e dos seus discípulos a fé, conserva esta pregação e esta fé com zelo e, come se habitasse numa única casa, crê num mesmo modo idêntico, come se tivesse uma única alma e um único coração, e prega as verdades de fé, ensina-as e transmite-as com voz unânime, como se tivesse uma só boca” (Adversus haereses, I, 10, 2). São Tomás de Aquino transmite-nos o mesmo princípio perene da vida da Igreja: “Existe uma só fé dos antigos e dos modernos, caso contrário não existiria a única e mesma Igreja” (Questiones Disputatae de Veritate, q. 14, a. 12c).

Permanece actual e válida a seguinte admoestação: “confusão criada na consciência de muitos fiéis pelas divergências de opiniões e de ensinamentos na teologia, na pregação, na catequese e na direcção espiritual, acerca de questões graves e delicadas da moral cristã, acaba por fazer diminuir, quase até à sua extinção, o verdadeiro sentido do pecado” (Exortação Apostólica Reconciliatio et paenitenia, 18).

À doutrina e disciplina sacramental relativas à indissolubilidade do matrimónio rato e consumado é plenamente aplicável o sentido das seguintes afirmações do Magistério da Igreja:

· “A Igreja de Cristo, diligente custódia e defensora dos dogmas a ela confiados, jamais os mudou em nada, nem diminuiu, nem acrescentou, antes, tratando, fiel e sabiamente, com todos seus recursos as verdades que a antiguidade tem esboçado e a fé dos Padres tem semeado, de tal maneira trabalha por arquivá-las e poli-las, para que os antigos dogmas da celestial doutrina recebam claridade, luz, precisão, sem que se percam, sem restrição, sua plenitude, sua integridade, sua índole própria e se desenvolvam tão só segundo sua natureza; e dizer o mesmo dogma, no mesmo sentido e parecer” (Pio IX, Bula dogmáticaIneffabilis Deus).

· “Quanto à própria substância da verdade, a Igreja tem, diante de Deus e dos homens, o sacro dever de anunciá-la, de ensiná-la sem qualquer atenuação, como Cristo a revelou, e não existe qualquer condição de tempos que possa fazer declinar o rigor desta obrigação. Esta obriga em consciência todos os sacerdotes a quem é confiada a assistência de formar, advertir e de guiar os fiéis” (Pio XII, Discurso aos párocos e aos pregadores quaresmalistas, 23 Março 1949).

· A Igreja nem historiciza nem relativiza em metamorfoses da cultura profana a natureza da Igreja, sempre igual e fiel a si mesma, como Cristo a quis e a autêntica tradição a aperfeiçoou” (Paulo VI, Homilia de 28 Outubro 1965).

· “Não minimizar em nada a doutrina salutar de Cristo é forma de caridade eminente para com as almas” (Paulo VI, EncíclicaHumanae Vitae, 29).

· As eventuais dificuldades conjugais sejam resolvidas sem nunca falsificar e comprometer a verdade” (João Paulo II, Exortação Apostólica Familiaris consortio, 33).

· De tal norma [da lei moral] a Igreja não é, certamente, nem a autora nem o juiz. Em obediência à verdade que é Cristo, cuja imagem se reflecte na natureza e na dignidade da pessoa humana, a Igreja interpreta a norma moral e propõe-na a todos os homens de boa vontade, sem esconder as suas exigências de radicalidade e de perfeição” (João Paulo II, Exortação ApostólicaFamiliaris consortio, 33).

· O outro é o princípio da verdade e da coerência, pelo qual a Igreja não aceita chamar bem ao mal e mal ao bem. Baseando-se nestes dois princípios complementares, a Igreja mais não pode do que convidar os seus filhos, que se encontram nessas situações dolorosas, a aproximarem-se da misericórdia divina por outras vias, mas não pela via dos Sacramentos, especialmente da Penitência e da Eucaristia, até que não tenham podido alcançar as condições requeridas” (João Paulo II, Exortação Apostólica Reconciliatio et paenitentia, 34).

· “A firmeza da Igreja em defender as normas morais universais e imutáveis, nada tem de humilhante. Fá-lo apenas ao serviço da verdadeira liberdade do homem: dado que não há liberdade fora ou contra a verdade” (João Paulo II, Encíclica Veritatis splendor, 96).

· “Diante das normas morais que proíbem o mal intrínseco, não existem privilégios, nem excepções para ninguém. Ser o dono do mundo ou o último «miserável» sobre a face da terra, não faz diferença alguma: perante as exigências morais, todos somos absolutamente iguais” (João Paulo II, Encíclica Veritatis splendor, 96).

· “O dever de reafirmar esta impossibilidade de admitir à Eucaristia é condição de verdadeira pastoralidade, de autêntica preocupação pelo bem destes fiéis e de toda a Igreja, porque indica as condições necessárias para a plenitude da conversão à qual todos estão sempre convidados pelo Senhor” (Pontifício Conselho para os Textos Legislativos, Declaração acerca da admissão à Sagrada Comunhão dos divorciados recasados, de 24 Junho de 2000, n. 5)

Como bispos católicos, os quais – segundo o ensinamento do Concílio Vaticano II – devem defender a unidade da fé e a disciplina comum da Igreja e procurar que surja para todos os homens a luz da plena verdade (cfr Lumen gentium, 23), somos forçados em consciência a professar, diante da actual e difusa confusão, a imutabilidade do matrimónio segundo o ensinamento bimilenário e inalterado do Magistério da Igreja. Neste espírito, reiteramos:

· As relações sexuais entre pessoas que não estão ligadas entre elas pelo vínculo de um matrimónio válido – coisa que se verifica no caso dos chamados “divorciados recasados” – são sempre contrárias à vontade de Deus e constituem uma grave ofensa a Deus.

· Nenhuma circunstância ou finalidade, nem mesmo uma possível inimputabilidade ou culpa diminuída, podem tornar tais relações sexuais uma realidade moral positiva e agradável a Deus. O mesmo vale para os outros preceitos negativos dos Dez Mandamentos de Deus. Porque “há determinados actos que, por si mesmos e em si mesmos, independentemente das circunstâncias, são sempre gravemente ilícitos, por motivo do seu objecto” (João Paulo II, Exortação Apostólica Reconciliatio et paenitentia, 17).

· A Igreja não possui o carisma infalível de julgar sobre o estado interno de graça de um fiel (cfr. Concílio de Trento, sess. 24, cap. 1). A não admissão à Sagrada Comunhão dos ditos “divorciados recasados” não significa, portanto, um juízo sobre os seus estados de graça diante de Deus, mas um juízo sobre o carácter visível, público e objectivo das suas situações. Por causa da natureza visível dos sacramentos e da própria Igreja, a recepção dos sacramentos depende necessariamente da correspondente situação visível e objectiva dos fiéis.

· Não é moralmente lícito manter relações sexuais com uma pessoa que não é o próprio cônjuge legítimo para supostamente evitar um outro pecado. Porque a palavra de Deus ensina-nos que não é lícito “fazer o mal para que venha o bem” (Rm 3, 8).

· A admissão de tais pessoas à Sagrada Comunhão só pode ser permitida quando, com a ajuda da graça de Deus e um acompanhamento pastoral paciente e individual, elas fazem um propósito sincero de cessar desse momento em diante o hábito de tais relações sexuais e de evitar o escândalo. Nisto se expressou sempre, na Igreja, o verdadeiro discernimento e o autêntico acompanhamento pastoral.

· As pessoas que têm relações sexuais não conjugais habituais violam, com tal estilo de vida, os seus indissolúveis vínculos nupciais sacramentais em relação aos seus legítimos cônjuges. Por esta razão, não são capazes de participar “em espírito e em verdade” (cfr. Jo 4, 23) na ceia nupcial eucarística de Cristo, tendo em conta também as palavras do rito da Sagrada Comunhão: “Felizes os convidados para ceia nupcial do Cordeiro!” (Ap 19, 9).

· O cumprimento da vontade de Deus, revelada nos Seus Dez Mandamentos e na Sua explícita e absoluta proibição do divórcio, constitui o verdadeiro bem espiritual das pessoas, aqui na terra, e conduzi-las-á à verdadeira alegria do amor, na salvação da vida eterna.

Sendo os bispos, no seu ofício pastoral aqueles “que velam pela fé católica e apostólica” (cfr. Missale Romanum, Canon Romanus), somos conscientes desta grave responsabilidade e do nosso dever diante dos fiéis, que esperam de nós uma profissão pública e inequívoca da verdade e da disciplina imutável da Igreja sobre a indissolubilidade do matrimónio. Por esta razão, não nos é possível calar.

Afirmamos, portanto, no espírito de São João Baptista, de São João Fisher, de São Tomás More, da Beata Laura Vicuña e de numerosos conhecidos e desconhecidos confessores e mártires da indissolubilidade do matrimónio:

Não é lícito (non licet) justificar, aprovar ou legitimar, nem directa nem indirectamente, o divórcio ou uma relação sexual estável não conjugal através da disciplina sacramental da admissão dos chamados “divorciados recasados” à Sagrada Comunhão, tratando-se neste caso de uma disciplina alheia à inteira Tradição da fé católica e apostólica.

Fazendo esta pública profissão diante da nossa consciência e diante de Deus que nos julgará, estamos sinceramente convictos de ter prestado um serviço, da caridade na verdade, à Igreja dos nossos dias e ao Sumo Pontífice, Sucessor de São Pedro e Vigário de Cristo na terra.

31 de Dezembro de 2017, Festa da Sagrada Família, no ano do centenário das aparições de Nossa Senhora em Fátima.

+ Tomash Peta, Arcebispo Metropolita da arquidiocese de Santa Maria em Astana
+ Jan Pawel Lenga, Arcebispo-Bispo emérito de Karaganda
+ Athanasius Schneider, Bispo auxiliar da arquidiocese de Santa Maria em Astana

Fonte: https://senzapagare.blogspot.com.br/2018/01/contra-confusao-doutrinal-3-bispos.html?m=1

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

As ideologias e a destruição das disposições naturais dos meninos que esvazia a construção de sua virilidade. (por Cristiane Lasmar)


Neste artigo vou falar sobre os meninos. Mais precisamente, sobre o modo como as suas disposições naturais vêm sendo depreciadas pela cultura feminista que domina a cena educacional contemporânea.
As meninas são educadas para a auto vitimização e a desfeminilização, e crescem com a falsa percepção de que os homens são inimigos potenciais. Os meninos, por sua vez, são levados a acreditar que aquilo que neles é mais espontâneo e específico, ou seja, a sua masculinidade, é nociva ao mundo e, principalmente, às mulheres.
As mensagens feministas dirigidas aos meninos devem ser entendidas como parte de um projeto político e ideológico mais amplo, cujos fundamentos, objetivos e métodos já foram dissecados por autoras como Christina Hoff Sommers, no livro “The War Against Boys” (2000) e Suzanne Venker, em “War on Men” (2013). Embora descrevendo o fenômeno a partir dos dados relativos à sociedade americana, essas análises descortinaram as bases do programa de ataque à masculinidade que está em curso em praticamente todos os países ocidentais. Vou me concentrar aqui no modo como esse programa é posto em prática na educação das crianças, começando por esclarecer quais são as disposições infantis que estou chamando de “masculinas” e que o projeto feminista tanto se esforça por neutralizar.
Sabemos que, durante a vida intra-uterina, o cérebro dos meninos é banhado por uma quantidade muito maior de testosterona do que o das meninas, e que isso determina, em ampla medida, a forma masculina de estar no mundo. Não é difícil perceber, por exemplo, que, em média, os meninos desenvolvem a coordenação ampla antes das meninas, ao passo que estas se antecipam no desenvolvimento da linguagem e da coordenação fina. E que, desde a mais tenra idade, a maioria dos meninos manifestam mais interesse imediato por objetos do que por pessoas, preferem brinquedos que possuem barulho e movimento, e mostram-se ávidos por brincadeiras que envolvam exploração, confronto corporal e dispêndio explosivo de energia.
A maior propensão dos meninos a recorrer à violência física para resolver conflitos também faz parte desse pacote.
Quem os educa tem, portanto, diante de si, a importante tarefa de ajudá-los a mitigar e canalizar o seu potencial agressivo para formas de ação civilizadas e socialmente produtivas. Esse esforço de culturalização das disposições naturais masculinas é absolutamente necessário e jamais houve sociedade que deixasse de realizá-lo.
Mas o que vem acontecendo no Ocidente contemporâneo é algo sem precedentes. Temos reprimido, em nossos meninos, todo tipo de comportamento que manifeste vigor combativo e espírito abertamente competitivo, sufocando assim traços essenciais de sua masculinidade. Em suma, os meninos estão sendo impedidos de ser meninos plenamente. E, quando resistem, seu modo de ser é problematizado, estigmatizado. Em muitos casos, chega a ser tratado como algo patológico.
É verdade que não se pode culpar a “ideologia de gênero” por absolutamente tudo. Alguns fatores sociológicos também contribuem para esse cerco à masculinidade. Um deles é a intensificação do padrão de vida urbano. A residência em apartamentos, a impossibilidade de brincar na rua ou em quintais, em contato íntimo com a natureza, assim como o fato das crianças precisarem estar sob vigilância constante de um adulto, tudo isso restringe as suas possibilidades de experimentarem situações espontâneas de aventura, competição e confronto. A oportunidade de se movimentarem amplamente ficou restrita à prática de esportes em clubes e academias, ou seja, a situações de curta duração, rotinizadas e supervisionadas diretamente por professores e instrutores, ou seja, sem uma liberdade real. Em muitos casos, porém, nem isso é concedido aos meninos. Uma boa parte das crianças vive a triste realidade do sedentarismo absoluto. Durante o tempo em que não estão na escola, ficam paralisadas diante das telas dos aparelhos eletrônicos, assistindo por horas a fio as aventuras de personagens virtuais que lutam, correm e se arriscam. Tudo o que lhes resta é o exercício vicário da masculinidade.
Outro fator importante que concorre para esse processo é a dinâmica própria da escola. Por seu caráter universalista e homogeneizante, a escola moderna não pode permitir a expressão plena das individualidades dos alunos, e precisa mantê-los quietos pelo maior período de tempo possível. Além disso, com o fenômeno da judicialização crescente das relações sociais, as escolas têm se tornado alvo potencial de processos por parte dos pais, o que leva os gestores a tentar reduzir o risco de acidentes a zero, aprofundando o controle sobre a corporalidade exuberante dos meninos. Eles não podem brincar de luta, envolver-se em competições espontâneas e, em muitos casos, não são nem mesmo autorizados a correr no recreio. Devem ficar sentados por horas a fio, mimetizando a duras penas o comportamento das meninas, que, embora mais conversadeiras, são, em geral, mais maduras e capazes de se manter quietas e concentradas quando necessário. Por serem mais empáticas, elas também têm mais facilidade para desenvolver relações de cumplicidade com os professores.
Além de não possuírem meios para dar expressão às suas necessidades de movimento, ação e competição, os meninos ainda recebem poucos estímulos imaginativos na escola. Os professores são, em sua maioria, mulheres, e os currículos escolares têm se distanciado cada vez mais da sensibilidade masculina típica. Pensemos, por exemplo, na nova onda de desenvolver nos alunos “competências socioemocionais”. Não é preciso ser PHD em desenvolvimento infantil para saber que esse tipo de conteúdo será, já de saída, muito mais atraente para as meninas, as quais têm mais facilidade e desenvoltura para falar de seus próprios sentimentos, e gostam de fazê-lo. Não obstante, a matéria é introduzida como se atendesse a uma necessidade geral e irrestrita, e sem nenhuma consideração relativa às diferenças entre os sexos. E é claro que isso não ocorre por desconhecimento ou descaso. O objetivo é exatamente o de transformar a sensibilidade dos meninos, da mesma forma como acontece com a seleção da literatura a ser trabalhada em sala de aula. Onde estão as histórias de batalhas, aventuras e heroísmo que tanto encantam a imaginação masculina? Foram substituídas por narrativas politicamente corretas e eivadas de ideologia de gênero.
Em condições normais, esses dois fatores de cerco à masculinidade – a vida urbana e a pedagogia escolar – poderiam ser relativamente contornados pela adoção de estratégias de compensação e adaptação por parte da família e da própria escola. Porém, as chances de se encontrar caminhos alternativos que beneficiem os meninos têm sido limitadas pela interferência de um terceiro fator, que é dentre todos o mais perverso, justamente por impedir o ajuste dos outros dois. Refiro-me à influência nefasta do discurso feminista que apresenta o modo de ser masculino como potencialmente “tóxico”, como algo de que os homens precisam se livrar, para o bem das mulheres e para o seu próprio bem. Nesse ponto, já não estamos mais falando de um constrangimento à masculinidade criado por circunstâncias históricas e sociológicas, e sim de um juízo de valor ideológico e politicamente interessado.
O discurso da “masculinidade tóxica” já se embrenhou em todos os níveis da atividade educacional, impregnando a visão de mundo de boa parte das famílias e de quase todos os gestores e agentes escolares. Em seu nome, os meninos têm sido submetidos a um processo de desvirilização de amplas consequências individuais e sociais. Um exemplo é a redução significativa de suas chances de sucesso escolar. Ao exercer tamanha pressão sobre a masculinidade, a educação atual coloca os meninos em notória desvantagem acadêmica em relação às meninas. Eles são os campeões nos índices de suspensão, expulsão e reprovação. Entre a população menos favorecida economicamente, essa situação tem resultados cruéis. Diminui as chances de mobilidade social e, em casos de maior vulnerabilidade, leva à marginalização e à exclusão social.
Do ponto de vista individual, abafar a expressão da sensibilidade natural dos meninos e impedir que ela se desenvolva em formas socialmente legítimas e valorizadas, significa despersonalizá-los e restringir as suas perspectivas de vida. Do ponto de vista coletivo, significa deixar de prepará-los para assumir as suas responsabilidades futuras como cidadãos e pais de família. Em muitas ocasiões cruciais, e para certas atividades específicas permanentes, uma comunidade precisa contar com a energia viril, do mesmo modo como uma família precisa contar com um homem que seja capaz de assumir riscos e obrigações pesadas para provê-la e protegê-la. É nas situações de calamidade, nos eventos de emergência, e no enfrentamento das ameaças externas, que nos damos conta do quanto a força física, a intrepidez e a objetividade masculinas são predicados imprescindíveis e admiráveis. Como escreveu C. Hoff Sommers, no livro já citado: “A história nos ensina que a masculinidade sem moralidade pode ser letal. Mas quando a masculinidade é imbuída de moralidade, ela se torna poderosa e construtiva, e uma dádiva para as mulheres (grifo meu).”
Mas os promotores da “ideologia de gênero” não estão preocupados com nada disso. O que nós percebemos como um problema sério, para eles é o corolário de um projeto que foi laboriosamente posto em prática ao longo de cinco décadas e cujos efeitos começam a se tornar mais visíveis agora. O cenário que temos hoje diante de nossos olhos – meninos pressionados em sua masculinidade, meninas confusas em relação à sua feminilidade – vem sendo idealizado, planejado e executado desde o início da segunda onda feminista nos anos 60, quando as universidades, as escolas e os meios de comunicação começaram a ser ocupados por agentes dedicados à pauta da desconstrução.
Em suma, o projeto de desvirilização dos meninos é a outra face do projeto de desfeminilização das meninas. As meninas são convencidas de que a sua feminilidade as transforma em vítimas dos homens. Ressentidas, elas se desfeminilizam para competir com eles. Os meninos são convencidos de que a sua masculinidade os torna algozes das mulheres. Culpados pela dor que alegadamente lhes causariam, eles se desvirilizam para tentar agradá-las. E, desse modo, chega-se mais perto da desestruturação da família heterossexual monogâmica, por meio do ataque a um de seus principais fundamentos, a complementariedade entre os sexos.

(retirado do Blog do Carmadelio)

https://blog.comshalom.org/carmadelio/

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Carta aberta ao Papa Francisco (por Padre Thomas G. Weinandy)

"Santidade:

Escrevo esta carta com amor à Igreja e sincero respeito por vosso ministério. Vós sois o Vigário de Cristo na terra, o Pastor do Seu rebanho, o Sucessor de São Pedro e, portanto, a rocha sobre a qual Cristo construiu Sua Igreja. Todos os católicos, sejam clérigos ou leigos, devem dirigir-se a Vós com lealdade e obediência filiais fundamentadas na verdade. A Igreja se dirige a Vós com espirito de fé, com a esperança de que Vós a guieis no amor.

No entanto, Santidade, Vosso Pontificado parece estar marcado por uma confusão crônica. A luz da fé, a esperança e o amor não estão ausentes, mas muito frequentemente estão obscurecidos pela ambiguidade de vossas palavras e ações. Isto faz com que entre os fiéis haja cada vez mais inquietação, enfraquecendo sua capacidade de amor, de alegria e de paz. Permiti-me dar alguns exemplos.

O primeiro se refere à disputa em relação ao Capítulo oitavo de Amoris Laetitia. Não necessito compartilhar minhas próprias preocupações sobre seu conteúdo. Outros, não só teólogos, mas também cardeais e bispos, já o fizeram. A preocupação principal é vossa maneira de ensinar. Em Amoris Laetitia, vossas indicações parecem às vezes intencionalmente ambíguas, convidando tanto a uma interpretação tradicional do ensinamento católico sobre o matrimônio e o divórcio, como também a uma interpretação que parece levar consigo uma mudança neste ensinamento. Como Vós mesmo, com grande sabedoria, observa, os pastores devem acompanhar e animar às pessoas que se encontram em matrimônios irregulares; mas a ambiguidade persiste em relação ao significado real desse “acompanhamento”. Ensinar com uma falta de clareza pode inevitavelmente levar a pecar contra o Espírito Santo, o Espírito da verdade. O Espírito Santo foi entregue à Igreja e sobretudo a Vós, para dissipar o erro, não para fomentá-lo. Além disso, só onde há verdade pode haver verdadeiro amor, porque a verdade é a luz que liberta os homens e as mulheres da cegueira do pecado, uma obscuridade que mata a vida da alma. No entanto, Vós pareceis censurar e inclusive ridicularizar aqueles que interpretam o Capítulo oitavo de Amoris Laetitia segundo a Tradição da Igreja, rotulando-os de fariseus apedrejadores representantes de um rigorismo sem misericórdia. Este tipo de calúnia é alheia à natureza do Ministério Petrino. Parece que alguns de seus conselheiros se dedicam lamentavelmente a este tipo de atitude. Este comportamento dá a impressão de que vosso ponto de vista não pode sobreviver a um escrutínio teológico, e por isso deve ser sustentado mediante argumentos ad hominem.

Segundo. Muito frequentemente vossas formas parecem menosprezar a importância da doutrina da Igreja. Uma e outra vez Vós vos referis à doutrina como se fosse algo morto, algo útil somente para ratos de biblioteca, que estão longe das preocupações pastorais da vida diária. Aqueles que vos criticam foram acusados – e são palavras vossas – de fazer da doutrina uma ideologia. Mas é precisamente a doutrina cristã – incluindo as sutis distinções relacionadas às crenças fundamentais como a natureza trinitária de Deus, a natureza e a finalidade da Igreja; a Encarnação; a Redenção; os sacramentos – que liberta o homem das ideologias mundanas e garante-lhe que está pregando e ensinando o Evangelho verdadeiro, doador de Vida. Aqueles que subestimam a doutrina da Igreja se separam de Jesus, Autor da verdade. E o único que resta então é uma ideologia; uma ideologia que se conforma com o mundo do pecado e da morte.

Terceiro. Os fiéis católicos estão desconcertados pela vossa escolha de alguns bispos, homens que não só estão abertos àqueles que tem pontos de vista contrários à fé cristã, mas que também os apoiam e inclusive os defendem. O que escandaliza os fiéis e inclusive a alguns irmãos Bispos não é só o fato de que Vós nomeeis a estes homens como Pastores da Igreja, mas que permaneçais calado ante seu ensinamento e prática pastorais, debilitando assim o zelo de muitos homens e mulheres que defenderam a autêntica doutrina católica durante muito tempo, às vezes arriscando sua própria reputação e bem-estar. O resultado: muitos fiéis, em representação do sensus fidelium, estão perdendo a confiança em seu Pastor Supremo.

Quarto. A Igreja é um Corpo, o Corpo Místico de Cristo, e o Senhor vos encarregou a Vós a missão de promover e fortalecer sua unidade. Mas vossas ações e palavras parecem dedicar-se, frequentemente, a fazer o oposto. Alentar uma forma de “sinodalidade” que permite e fomenta várias opções doutrinais e morais dentro da Igreja só pode levar a uma maior confusão teológica e pastoral. Esta sinodalidade é insensata e na prática é contrária à unidade colegial dos Bispos.
Santo Padre, tudo isso me leva à última preocupação. Vós frequentemente falais sobre a necessidade de que haja transparência dentro da Igreja, exortando sobretudo nos dois últimos Sínodos, a que todos, especialmente os Bispos, falem francamente e sem medo ao que pudesse pensar o Papa. Mas, vós conseguistes perceber que a maioria dos Bispos do mundo estão surpreendentemente silenciosos? Por quê? Os Bispos aprendem rápido. E o que muitos aprenderam em vosso Pontificado é que vós não estais aberto a críticas, mas que vos molesta ser objeto delas. Muitos Bispos estão silenciosos porque desejam ser-vos leais e, por conseguinte, não se expressam – pelo menos publicamente; outra questão é se não o fazem privadamente – a preocupação que lhes causa vosso pontificado. Muitos temem que, se falarem francamente, serão marginalizados. Ou algo pior.

Constantemente me pergunto: “Por que Jesus deixa que tudo isso ocorra?” A única resposta que consigo dar-me é que Jesus quer manifestar quão débil é a fé de muitas pessoas que estão dentro da Igreja, inclusive de muitos – demasiados – Bispos. Ironicamente, Vosso Pontificado deu a liberdade e a confiança para aqueles que têm um ponto de vista pastoral e teológico prejudicial saíssem à luz e expusessem sua maldade, que antes estava oculta. Reconhecendo esta maldade, a Igreja humildemente necessitará renovar-se e assim seguir crescendo em santidade.

Santo Padre, rezo constantemente por Vós. E seguirei rezando. Que o Espírito Santo vos guie na direção da luz da verdade e da vida do amor, para que possais dispersar a maldade que nestes momentos está ocultando a beleza da Igreja de Cristo.

Sinceramente em Cristo,
Thomas G. Weinandy, O.F.M., Cap.
31 de julho de 2017
Festa de Santo Inacio de Loyola"

(Padre Weinandy, de 71 anos, lecionou nos Estados Unidos em diversas universidades, em Oxford durante doze anos e em Roma na Pontifícia Universidade Gregoriana. Foi, durante nove anos, diretor executivo do Secretariado para a Doutrina da Conferência Episcopal Norte-americana.)

Fonte:https://fratresinunum.com/

sábado, 16 de setembro de 2017

Caso Santander, um ponto de inflexão.

Estarrecedora! Esta é a palavra que melhor define a "exposição de arte" bizarra realizada recentemente em Porto Alegre (RS) patrocinada pelo banco espanhol Santander. A exaltação do mal gosto foi a tônica daquele circo de horrores. Nada se salvou naquele lugar. Desde a banalização da pedofilia até as ofensas e blasfêmias contra Nosso Senhor Jesus Cristo, tudo lixo, do começo ao fim, indefensável sob qualquer ótica.

Não é necessário ser cristão para se escandalizar com algo desse tipo, basta apenas algum senso moral e estético. Apesar dessa obviedade não foi difícil encontrar na mídia mainstream quem defendesse com unhas e dentes aquela porqueira como uma legítima manifestação da liberdade de expressão (sic).

Parte considerável dos diretores de marketing das grandes empresas e a imensa maioria da mídia tradicional perderam totalmente o lastro com a realidade dos fatos. Apegados a um viés ideológico marxista e/ou libertário, talvez ainda remanescente do tempo de faculdade, estão intoxicados por uma visão materialista que despreza Deus e os valores morais e religiosos que ajudaram a formar o povo brasileiro. Eles estão muito mais preocupados em agradar aos coletivos esquerdistas, à ONU, às fundações internacionais e aos interesses globalistas do que às famílias brasileiras que são seus reais consumidores, e sem qualquer tipo de cerimônia nos enfiam goela abaixo uma agenda de péssimo gosto que não é a nossa. 

Reproduzem até a exaustão questões como mudança de sexo, banheiro unissex, paradas LGBTs e afins. Nada disso é por acaso, mas faz parte de uma estratégia muito bem pensada que tem por finalidade solapar as bases da civilização ocidental que tem suas raízes judaico-cristãs, tendo como principal alvo das suas investidas as nossas crianças e adolescentes.

No meio de tanta loucura, merece destaque o comentário infeliz do jornalista Ricardo Boechat da rádio Bandeirantes. Esse senhor tratou como absurdo o cancelamento da amostra blasfema e pedólifa patrocinada pelo Santander e rotulou como nazi aqueles que se empenharam em  boicotar o banco (?!). Do alto de sua arrogância e preguiça, Boechat representando muito bem a classe jornalística atual, se contentou em denegrir e caluniar a qualquer um que ousasse resistir a imposição de uma agenda anticristã e imoral em vez de narrar os fatos como eles realmente aconteceram. Deprimente.

Tem muita gente em nosso país que hipocritamente acha que a ditadura militar brasileira foi o maior cataclismo que já aconteceu na história da humanidade. Normalmente são os mesmos que costumam ignorar o sofrimento do povo Venezuelano e acham Cuba uma ilha da fantasia! Movidos por um trauma da censura do regime militar, defendem uma liberdade de expressão total, sem limites, o que na prática se mostra muito pior do que uma justa censura que poderia proteger débeis e indefesos de absurdos como aquela pavorosa amostra de Porto Alegre. 

Sem os limites do bem comum e da verdade, a liberdade se degenera tornando-se libertinagem. 

No mais, o boicote ao Santander permanece legítimo e parece estar sendo muito eficaz. Há notícias que milhares cancelaram cartões de crédito e contas porque não se sentiram representados nos apoios culturais como esse que o banco realizou. Isso sem falar em outros tantos que não eram clientes e que agora de forma alguma o serão devido a essa presepada sem tamanho.

Torço para que essa seja uma de muitas outras importantes reações da sociedade brasileira, que aos pouquinhos parece ganhar consciência da sua força. Há um tipo de gente que só muda de postura quando sente o bolso.

O Santander jogou pelo ralo anos de investimento em publicidade e está queimado com as famílias brasileiras. Que outras empresas também aprendam com esse ocorrido. Ninguém é obrigado a crer, mas respeito a Fé alheia e aos bons costumes é o mínimo que se espera de alguma instituição séria.

De Deus não se zomba!


Luciano Perim Almeida